20/10/2012

As fabricantes e as (faltas de) atualizações

Olá à todos! É engraçado como vejo bons aparelhos como o Milestone 3, que tem uma ótima configuração e que já foi o smartphone top da Motorola morrer com o Android 2.3. A Motorola já avisou que não iria atualizar o aparelho, pois não teria hardware suficiente para o Android 4.0.

Tá bom. Então vamos lá: o Milestone 3 possui processador dual core de 1Ghz e 512Mb de RAM. Processador não é problema, então seria a memória o calcanhar de aquiles?


Poderíamos considerar isso, se não fosse um detalhe: a própria Motorola lançou o Atrix TV com um hardware inferior (processador single core de 1Ghz e os mesmos 512MB de RAM) e mesmo assim com Android 4.0.

Milestone 3 - Apesar do bom hardware, Motorola o manterá com o Android 2.3


E a Motorola não é a única a ter esse tipo de conduta. A Samsung também só costuma atualizar seus aparelhos tops. Um celular excelente como o SII Lite ainda está na versão 2.3 aqui no Brasil não sabemos se será atualizado (a versão estrangeira, com o nome de Galaxy S Advance será atualizada para a versão 4.1 em alguns países).

Temos também a Sony que, apesar de ter uma das melhores políticas de atualizações entre os fabricantes, ainda assim deixa a desejar. A maioria dos seus aparelhos lançados em 2011 estão sendo atualizados para o Android 4.0, mas nenhum deles receberá o Android 4.1, que é uma atualização incremental e a maioria dos hardwares que rodam a versão 4.0 são capazes de rodar o 4.1, mesmo que sem todos os recursos (talvez o Project Butter seria difícil de ser implantado), mas pelo menos com a versão mais atual.

Android 4.1 - Jelly Bean - Atualmente para poucos...


E outras fabricantes, como LG e HTC tem políticas semelhantes. O problema é que os fabricantes querem apenas vender e o suporte fica para segundo plano, pois não traz dinheiro, traz apenas mais custos... Só que eles deveriam ter consciência de que um consumidor que tem um bom suporte e que sabe que seu aparelho será atualizado por bastante tempo poderá se tornar fiel à marca e que continuará comprando seus produtos.

Mas somente os usuários mais avançados querem ter seus aparelhos sempre atualizados e a grande maioria das pessoas não se importa ou não sabe sobre isso, correto? Isso já foi verdade absoluta, mas a situação está mudando. Sempre que alguém vê meu Galaxy Note e mexe na interface, me pergunta qual é a versão do Android. Quando respondo que estou usando a versão 4.1, a próxima pergunta que fazerm é como podem atualizar os seus aparelhos. Quando respondo que não é possível, fica visível a cara de frustração deles.

É claro que criar atualizações para os aparelhos não é fácil. Mas se fosse tão difícil, não haveriam tantas ROMs alternativas, feito por grupos de pessoas que não recebem salário, que na maioria não possuem sequer algum tipo de suporte. E muitas dessas ROMs ficam extremamente boas e estáveis. Assim, fico me perguntando se o custo de manter uma equipe de programadores desenvolvendo atualizações para os aparelhos seria maior do que o benefício de uma marca ser reconhecida por valorizar seus consumidores.



Já cheguei a falar sobre uma idéia de dividir o kernel (o núcleo do sistema) da interface gráfica, que poderia manter o sistema atualizado sem tanto esforço (você pode ler aqui). Seria algo fácil de implantar e que talvez minimizasse os problemas com atualização.

O Google chegou a prometer que os aparelhos seriam atualizados por 18 meses à partir de seu lançamento, desde que o hardware permitisse, mas não é isso que vemos. A solução é continuar usando as ROMSs alternativas, que mantem seu aparelho atualizado, mas que infelizmente somente pessoas com algum  conhecimento técnico e coragem conseguem ter acesso.

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