06/01/2014

Motorola Moto G - O novo campeão do custo x benefício

No ano passado, o Google comprou a Motorola e criou uma enorme expectativa no mercado. Afinal, a dona do Android estaria dando pitaco na produção de aparelhos e o que sairia daí? Surgiram os Razr D1 e D3, que foram concebidos antes da compra, mas que mexeram com nosso mercado ao serem lançados por preços abaixo do praticado pelos outros fabricantes, ao levar em consideração suas características técnicas.

A Motorola voltou a sacudir o mercado com o Moto X, o primeiro aparelho criado em parceria com o Google, que usava uma filosofia completamente diferente, com hardware não tão avançado, mas com desempenho exemplar e a exploração de recursos diferentes, como estar sempre "ouvindo", esperando os comandos de voz do usuário. E agora surge o 2º aparelho dessa parceria, o Moto G, um aparelho com ótimas características técnicas, mas com um preço novamente abaixo do praticado pelo mercado.
Tamanho da tela e nível de detalhes são muito bons no Moto G.
  O Moto G já chama a atenção pelo seu visual. Não que ele seja ousado, mas tem uma aparência moderna e um acabamento muito bom. Ele lembra muito o Moto X com dimensões um pouco menores. Sua área frontal é toda em vidro e não possui botões. Os únicos detalhes perceptíveis são a câmera frontal de 1,3MP, o led de notificações branco e o alto falante para ligações. Na parte inferior está o conector micro USB e na superior o conector P2 para fone de ouvido. Também existe um microfone em cada uma dessas pontas.
Tampa traseira tem toque emborrachado e pode ser trocado por outras
cores, mas fica facilmente com marcas de dedos.

Na lateral direita estão os botões de liga/ desliga e de volume. E na parte traseira estão o alto-falante, a câmera de 5MP e o flash de led. A tampa traseira possui uma textura que lembra muito a borracha, mas ela é de plástico e pode ser trocada por tampas de outras cores, que são vendidas separadamente (porém a versão colors vem com quatro tampas de cores diferentes). Ainda não sei em relação às outras cores, mas a tampa preta acumula facilmente manchas de dedo, te obrigando a limpá-las o tempo todo. Ao retirar essa tampa, tem-se acesso aos slots micro SIM do aparelho e é possível ver a bateria, porém ela não pode ser trocada (algo que não consigo entender).

As bordas do moto G são divididas entre a tampa e um plástico brilhante. É muito bom ver um aparelho com um acabamento bom e discreto. E ele definitivamente não passa a sensação de ser barato.

Tela equilibrada, hardware acima da média

Com uma tela de 4,5 polegadas, o Moto G é um grande candidato a agradar gregos e troianos. A tela nem é pequena nem grande demais. A maioria irá conseguir tocar a tela de ponta-a-ponta com uma só mão e não sentirá que está faltando espaço. Porém, é importante frisar de que uma parte da tela é utilizada pelos botões virtuais de voltar, home e multitarefa.

O Moto G utiliza uma tela LCD, mas com painel IPS, uma resolução de 1280 x 720 e densidade de 326 ppi. Não é nada revolucionário, mas são ótimas características que entregam na prática um resultado muito bom. Nota-se claramente que o Moto G tem uma tela com qualidade acima da média, principalmente ao considerar seu preço. Ângulo de visão e nível de cores são muito bons.
A lebibilidade da tela é ótima!
Android puro e atualizado

Se nos Razr D1 e D3 a Motorola já tinha mexido pouco na interface padrão do Android, aqui no Moto G a mudança foi ainda menor. É praticamente o Android puro! Algo natural, levando-se em conta de que o aparelho é do próprio Google. São visíveis apenas algumas mudanças, como o gerenciamento dos dois sim cards (na versão dual chip) e a inclusão do ID de dispositivo Motorola. Quase todo o resto, como cores, fontes, disposição dos ícones, é idêntica ao Android padrão.
Android atualizado e quase puro: pouquíssimas modificações.
Vindo com o Android 4.3 - Jelly Bean (com atualização em breve para o Android 4.4 - Kit Kat), encontram-se as características da versão, como o acesso à atalhos em uma segunda tela de notificações e a possibilidade de adicionar vários widgets na tela inicial. Claro que o Android quase puro elimina um monte de perfumarias que os fabricantes adoram colocar e às vezes acabam prejudicando a performance do aparelho. Vemos isso claramente na performance exemplar durante o uso da interface, mesmo o aparelho possuindo 1GB de RAM (não é pouco, mas 2GB está se tornando o novo padrão). Mas confesso que sinto falta dos atalhos para funções na barra de notificações (o Moto G tem alguns atalhos na segunda barra, mas gostaria que houvessem mais e pudessem ser editados) e dos mini apps que vem no LG G2 e no Galaxy Note 3. Quando não existem avisos, a barra principal de notificações parece um enorme vazio.
Barra de notificações: Sem nenhum tipo de ícone ou atalho, ela parece
estranhamento vazia quando não existem avisos.
E se por um lado o Android enxuto melhora a performance, não podemos nos esquecer que o ótimo conjunto de hardware também ajuda. o Moto G vem com um processador ARM Cortex A7, quad-core, de 1,2GHz; 1GB de RAM; e GPU gráfica Adreno 305. Tudo isso faz parte do SoC Snapdragon 400, da Qualcom, um chipset voltado à aparelhos intermediário, mas com boas especificações.
Barra de notificações secundária: uma ótima idéia, mas existem poucos
atalhos.
O resultado desse conjunto pode ser visto tanto no uso comum quanto também nos jogos, mesmo os pesados. Navegar na internet, ler emails, acessar as redes sociais, ver fotos e vídeos são experiências bastante fluidas. O aparelho é bastante responsivo e dificilmente "engasga".
O Moto G roda vários apps sem "engasgar".
Quanto aos jogos, o Moto G rodou bem a maioria deles. Testei vários, como Asphalt 7, Temple Run 2, Dead Trigger 1 e 2, Subway Surfers. E até mesmo um jogo pesado como o Asphalt 8, que não rodou no L7 II, SII TV e Razr D3, rodou muito bem no Moto G. Claro que ele não exibiu todos os efeitos gráficos, mas até mesmo o poderoso LG Optimus G Pro também não exibiu. Na prática, só vi todos os efeitos do Asphalt 8 ativados quando rodando no chipset Snapdragon 800 (Galaxy Note 3, LG G2, Xperia Z1 e Z Ultra).
Google Now: Acesso na tela de bloqueio ou arrastando para cima usando
o botão Home. Porém, ele não fica sempre "escutando", como no Moto X.
Nos benchmarks, o Moto G marcou 8734 pontos no teste Quadrant; 17274 pontos no AnTuTu; 1950 pontos no teste de HTML e 538 pontos no teste Metal do Vellamo. Resultado abaixo de aparelhos como Galaxy SIII e Note II, mas acima do Nexus 4 e do HTC One X.
O navegador padrão do Moto G é o Google Chrome.
A bateria, de 2070 mAh, está acima da média e aparentemente tem uma duração muito boa. Somente testes mais apurados poderão dizer o quanto ela é boa. Mas com pouco uso ela dura bastante. Já são 35 horas de uso e ela ainda tem 45% de carga. Claro, ela passou o maior tempo em stand by, ainda não existem muitos apps instalados. Mas durante a semana poderei ter uma informação mais detalhada sobre a sua capacidade.

A câmera do Moto G continua mostrando que a Motorola ainda fica devendo nesse ponto. Claro que ela não chama a atenção pelas características: sensor de 5MP, com auto foco, flash de led e filmagem em até 720p. Porém aqui a maior crítica é em relação ao app de fotos: ele é simples demais. Não é possível ajustar a resolução, ajustar recursos como detector de sorriso ou melhor face. O tempo de disparo é até rápido, mas poderia ser um pouquinho melhor.
O círculo central pode ser movido para apontar onde deve ficar o foco.
Clicando fora dele, a foto é tirada.
 Porém, nem tudo no app é ruim. Para tirar fotos, basta clicar na tela. Você ativa as opções deslizando o dedo da esquerda para a direita. Ele já vem com um modo HDR, ajuste do flash, modo de filmagem panorâmica... O destaque vai para o ajuste manual do foto que, quando habilitado, coloca um círculo na tela. Você arrasta ele para onde quer mirar o foco e clica fora desse círculo para fotografar. Ele também tem um modo de gravação em câmera lenta onde, apesar de não ter som, cria um efeito muito interessante.
Opções da câmera são acessadas deslizando o dedo da esquerda para
a direita. Boa solução, mas são poucas opções.
A câmera de vídeo grava em até 720p. É possível usar o zoom digital arrastando o dedo de baixo para cima nas bordas. A qualidade da imagem ficou muito boa, porém tive a impressão de que ele só grava a 15 quadros por segundo, muito abaixo dos 25~30 recomendáveis.
Tela de configurações: Quase no Android padrão.
Quanto à qualidade das fotos, ele segue o padrão da maioria dos aparelhos. Fotos boas em ambientes claros e com ruídos em ambientes escuros. E uma observação: achei a câmera do Moto G inferior ao D3 e ao SII TV.
Detalhe do alto-falante traseiro, da câmera de 5MP e do flash de led.
O que falta

Não existe milagre no mundo da tecnologia. Algum motivo deve haver para o Moto G custar tão pouco. Um deles acredito que seja uma margem de lucro menor, para que a Motorola ganhe mercado. Mas existem outros fatores também. O Moto G não possui NFC, que mesmo não sendo ainda um recurso indispensável, aos poucos vem ganhando terreno e no futuro poderá se tornar bastante popular. Vimos que sua câmera também não é tão boa assim. Mas acho que seu principal problema é a falta de slot para cartão micro SD.


Com versões de 8 e 16GB, você fica limitado à memória interna e essa tem que ser divida entre o sistema, apps, fotos, vídeos, músicas e demais arquivos. Não é exatamente tão pouco espaço assim, mas se você gosta de guardar vídeos e músicas no seu celular, seu aparelho ficará sem espaço logo.

A versão de 8GB possui pouco mais de 5GB livres. A versão de 16GB possui pouco menos de 13GB. Para instalação de apps é um bom espaço, considerando que a maioria dos aparelhos da mesma categoria vem com 4GB de memória interna e 2GB livres. Mas enquanto que neles você pode adicionar um cartão de memória e jogar tudo o que não seja app lá, no Moto G você vai ter que racionar esse espaço para tudo. Então, já que não é possível expandir a memória, procure comprar a versão com 16GB. É mais cara, mas vale a pena. E 16GB é um bom espaço e não fará falta se você armazena poucos vídeos. O LG G2 tem os mesmos 16GB, sem capacidade de expansão, e ainda restam 2GB de espaço, mesmo com vários jogos instalados. Se você não armazena vídeos e muitos jogos, até mesmo o modelo de 8GB pode ser uma boa opção.
O design do Moto G lembra o Moto X e até mesmo o LG G2 (à esq.)
  Conclusão

Repitindo o feito do Razr D3, o Moto G veio para mexer no mercado, oferecendo um aparelho com ótimo hardware, por um preço em conta. Seus principais concorrentes são o L5 II, L7 II, Galaxy SII TV, Galaxy Win Duos, Xperia M, J e L. E de todos eles o Moto G ganha no geral, seja em preço, em características, em sistema. Até mesmo o seu irmão D3 está sendo canibalizado pelo Moto G, pois está na mesma faixa de preço e tem uma tela maior, processador e GPU mais rápida (apesar de que não possui NFC e a câmera é pior). Mas acredito que o D3 deve ter seu preço reposicionado, ficando mais barato. Hoje, é seguro dizer de que o Moto G é uma das melhores opções em sua faixa de preço e é um aparelho recomendado. Mas felizmente ainda não é a única opção.

Lumia 620, Moto G e LG G2.














4 comentários:

  1. sua informação está errada ele vem com uma cpu snapdragon 400 ok

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    1. Flávio, apesar de ser comum chamarmos o Snapdragon de processador, na verdade ele é um SoC (System on Chip - Sistema no Chip). Ele é composto por uma CPU quad-core ARM Cortex A7 de 1,2 GHz + a GPU Adreno 305. Esse conjunto todo forma o Snapdragon 400.

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  2. Ele é melhor que o s 3 mini ? o.O

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    1. sim . ele tem 2 vantagens a mais que o s3 mini.

      http://www.maiscelular.com.br/comparar/celulares/motorola-moto-g-xt1033-dual-16gb-vs-samsung-galaxy-s3-mini-gt-i8190-16gb/803597

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