23/12/2012

Por que os apps para tablets Android não são tão bons quanto os do Ipad?

Quem já teve a oportunidade de mexer num Ipad e em um tablet com Android já deve ter percebido que os apps do primeiro são mais sofisticados, bem trabalhados, enfim, mais polidos do que os do segundo.

Infelizmente, exemplos não faltam: clientes de Twitter, de Facebook,  apps de email... A impressão que se tem é que somente o Google cria bons apps para tablets. E por que isso acontece?

Primeiramente, precisamos entender o motivo do Ipad ter apps tão bons.

  • Ele ainda é o líder no mercado;
  • A Apple dá muita atenção à ele;
  • Os poucos modelos diferentes facilitam o desenvolvimento dos apps;
  • Para a grande maioria, só existe uma fonte de apps, a Apple Store (outras fontes, só com Jailbreak);
  • Com um grande parque de Ipads no mercado, as pessoas compram muitos apps na Apple Store, dão lucro aos desenvolvedores e os estimulam a lançarem novos e melhores apps;
  • A Apple tem um controle rígido dos apps que entram em sua loja, minimizando a entrada de apps ruins. 
Facebook app para Android: o desperdício
de espaço é evidente.
Todos esses motivos levaram o Ipad a ter um excelente ecossistema de apps. A Apple ganha, o consumidor ganha, os desenvolvedores ganham. Mas e no Android, o que acontece?

Quando surgiu o Galaxy Tab 7, a Samsung usou o Android 2.2, que era um sistema pensado para celulares e não tablets. Somente os apps desenvolvidos pela própria Samsung faziam um melhor uso da tela maior. Os demais apps, excetuando os jogos, pareciam desperdiçar o espaço, deixando grandes vazios. Como o Galaxy Tab 7 ainda fazia e recebia ligações, ele logo foi rotulado como um smartphone gigante.


O app do Facebook para Ipad aproveita muito melhor o
espaço da tela do que a versão Android.

Mesmo assim, como a tela de 7 polegadas não era tão grande assim, ainda dava para usar bem os apps. Só que aquela sensação de disperdício de tela ainda continuava. Imaginem como seria se alguém lançasse um tablet de 9 ou 10 polegadas? A sensação de desperdício seria ainda maior.

Foi então que o Google resolveu entrar oficialmente no mercado de tablets, lançando um sistema exclusivo para eles, o Android 3.0 - Honeycomb. Junto com o sistema, foi lançado o primeiro tablet de 10.1 polegadas, o Motorola Xoom.

Em modo horizontal fica mais evidente o desperdício
de espaço do app para Andoid do Facebook.
O sistema parecia bem interessante e os apps que o Google lançou, como o Gmail e o navegador, utilizavam bem o espaço maior da tela.

Mas e quanto aos apps de terceiros? Quando os donos do Xoom poderiam utilizar apps deles em seus tablets? O Google apresentou uma idéia que parecia ser incrível e acabou sendo o maior problema de seus tablets.

No Twitter vemos o mesmo deserdício de espaço.

Ela explicou que os tablets feitos para versões anteriores do Android (smartphone) se adaptariam automaticamente à tela dos tablets, esticando para ocupar toda a tela. Ou seja, praticamente todos eles rodariam nativamente e os usuários teriam em seus tablets milhares de apps à disposição logo no lançamento!

O problema é que o fato deles rodarem nativamente nos novos tablets desestimulou os desenvolvedores à criarem versões exclusivas para eles. Era só criar uma versão para smartphone e pronto! Ele iria rodar no tablet também... Só que sem aproveitar o espaço extra, os apps ficaram ainda mais estranhos do que no Tab 7...

O Twitter do Android tem caracteres menores do que
a versão do Ipad (à dir.)
E como cereja do bolo, os tablets Android vendiam pouco, desinteressando ainda mais os desenvolvedores à adaptar seus apps. E com falta de bons apps, os consumidores compravam poucos tablets Androids, criando um círculo vicioso. Empresas como a LG até pararam de fabricar tablets com Android.

A versão Ipad do Twitter abre os detalhes na mesma tela e
abre links externos dentro do app. Já a versão do
Android abre os detalhes em outra janela e só abre links
externos fora do app, usando um navegador.

Esse cenário só começou a mudar recentemente, após alguns fatores:

  • O Google passou a olhar com mais carinho o mercado de tablets, lançando aprelhos Nexus (o 7 e o 10) e estimulando o comércio online;
  • Fabricantes como Samsung, Motorola e Asus lançaram equipamentos com bom hardware, interessantes e com preços mais em conta;
  • Os tablets xing-ling, de baixo custo, invadiram o mercado e ajudaram a plataforma Android em tablets a crescer.
Echofon: a versão do Ipad é bem diferente (e melhor!) do
que a versão para Android, aproveitando melhor o
espaço na tela.
Mesmo sem ter grandes lucros com a plataforma Android em tablets, os desenvolvedores não poderiam simplesmente virar as costas para o crescimento que ela está recebendo. Fora que o Android está cada vez mais consolidado em todo o mundo e um desenvolvedor, mesmo ganhando menos com ela em relação à plataforma da Apple, precisa estar presente em ambas. Isso fez com que muitos apps exclusivos para o Ipad aparecessem nos tablets Android e que, mesmo ainda sem a mesma qualidade, estejam cada vez melhores.

O Friendcaster é um exemplo de que  apps podem ser bons
 no Android também
E o círculo, que era vicioso, passa agora a ser virtuoso, já que bons apps fazerm os consumidores comprarem mais tablets Android. E com mais tablets Android, os desenvovedores venderão mais apps e os melhorarão. E apps melhores vendem mais tablets. E por aí vai...

Mesmo sendo bem diferentes, como a lista de amigos acima,
as versões Ipad e Android do Friendcaster ficaram
 muito boas.

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